A ideia de que a raiva é perigosa tem fundamento. As pessoas que vivem dominadas pela raiva são capazes de grande violência. No entanto, a raiva é mais do que uma simples força destrutiva. A raiva é extremamente importante porque é a base dos mecanismos de auto-preservação e dos instintos de auto-defesa. As pessoas que são incapazes de ficar com raiva também são incapazes de se defender. Então, é importante que aprendamos a expressar a raiva de forma apropriada. Precisamos de aprender a expressar a raiva de forma saudável, garantindo o respeito pelos outros, para evitar o descontrolo, que pode afectar negativamente as nossas relações afectivas.
Podemos dizer que uma pessoa tem um problema relacionado com a manifestação da raiva quando esta se torna dependente, usando esta emoção como principal meio de se expressar, quando inadequadamente usa a raiva ou a ameaça de violência como arma para obter aquilo de que precisa.
Quando expressamos raiva, o nosso comportamento leva a que o outro se torne defensivo e/ou que também fique com raiva e a partir daí a probabilidade de a violência ocorrer aumenta.
E mesmo que o foco da nossa raiva se afaste, é difícil passar deste estado emocional para um estado de relaxamento. A aceleração causada pela raiva dura muito tempo (muitas horas, às vezes dias), e baixa os nossos níveis de tolerância, tornando-se mais fácil ficarmos irritáveis. Durante este longo período de acalmamento estamos mais propensos a irritarmo-nos em resposta a pequenas situações que normalmente não nos incomodariam.
Como qualquer estudante sabe, é difícil memorizar informação quando estamos sonolentos. Níveis moderados de excitação ajudam o cérebro a aprender e a memorizar, fomentam a concentração e melhoram o desempenho. Existe um nível ideal de aceleração que beneficia a memória. No entanto, quando a aceleração ultrapassa o nível ideal, torna-se mais difícil formar novas memórias. Altos níveis de aceleração (como os que estão presentes quando estamos com raiva do nosso cônjuge) diminuem significativamente a nossa capacidade de concentração. É por isso que é difícil lembrarmo-nos de detalhes de discussões realmente intensas.
Uma criança abusada (física ou emocionalmente) pode desenvolver mecanismos de defesa que a impeçam de voltar a sentir-se vulnerável e começa a tornar-se hostil em relação aos outros sob o argumento de que "um bom ataque é a melhor defesa".

