Importa conhecer os sintomas da doença:
• ATENÇÃO/CONCENTRAÇÃO. A dificuldade em manter a concentração pode ser visível desde os primeiros anos de vida da criança. Esta característica não é aplicável apenas às tarefas mais aborrecidas. A criança com TDAH pode ter dificuldade em manter a atenção a uma actividade lúdica durante um período significativo, o que implica, por exemplo, não ser capaz de estar sentada a ver um filme de animação.
• ORGANIZAÇÃO. Como está quase sempre desatenta, a criança tende a “perder-se” na realização de tarefas comuns, deixando-as inacabadas. É provável que nunca saiba onde estão as suas coisas e que aquando da realização de tarefas escolares tenha os seus objectos todos espalhados e desarrumados.
• COMPROMISSOS. O esquecimento é uma constante, pelo que as datas importantes (dias de teste, por exemplo) ou os TPC são obrigações que envolvem um esforço extra.
• REGRAS. O incumprimento de regras é fruto da desatenção e não da rebeldia. A criança justifica o “mau comportamento” com o esquecimento e está a ser realmente honesta. É como se a sua mente estivesse permanentemente noutro lugar, impedindo-a de ser fiel ao que fora acordado com os pais ou professores. Esta característica pode comprometer a participação em jogos de grupo porque a criança tem dificuldade em dar atenção às instruções.
• MOVIMENTO. A inquietação é a característica mais comummente associada a esta perturbação porque acaba por saltar à vista. Uma criança com TDAH pode sentir grandes dificuldades em manter-se quieta durante algum tempo. Mais: a agitação pode ser de tal modo intensa que a criança trepa, literalmente, os objectos disponíveis. Corre, escala, anda de um lado para o outro, com uma energia inesgotável. Mesmo sentada, é provável que continue a agitar os pés e/ou as mãos, como se estivesse ligada à electricidade.
Como os sintomas não se manifestam da mesma maneira em todos os casos nem em todos os contextos, o diagnóstico pode ser difícil, o que aumenta o risco de equívocos. A perturbação pode manifestar-se sob 3 formas:
1. Tipo combinado – A criança apresenta sintomas de desatenção e de hiperactividade. A maior parte das crianças apresenta este subtipo.
2. Tipo predominantemente desatento – A criança apresenta um predomínio de sintomas de desatenção e poucos sintomas de hiperactividade e impulsividade (ou até nenhum). É mais frequente entre as raparigas e os sinais de alarme costumam estar associados a dificuldades de aprendizagem.
3. Tipo predominantemente hiperactivo/ impulsivo. A criança apresenta muitos sintomas de hiperactividade e impulsividade e os sintomas de desatenção são raros ou inexistentes. As manifestações do problema prendem-se muitas vezes com alterações de comportamento e dificuldades de relacionamento.
A intensidade dos sintomas associados ao TDAH acaba por afectar o relacionamento da criança com a família e a população escolar. Por exemplo, não raras vezes os colegas de escola excluem-na das brincadeiras. Os pais sentem-se permanentemente esgotados e impacientes, pelo que a relação conjugal também é afectada.
O diagnóstico de TDAH numa criança é um teste ao casamento dos seus pais, já que os problemas associados à perturbação podem precipitar a ruptura e dar origem a um divórcio. Os primeiros anos são particularmente difíceis: se compararmos os casais com filhos com TDAH até aos 8 anos de idade com casais com filhos da mesma faixa etária sem este transtorno, verificamos que a taxa de divórcio é quase o dobro! Em compensação, os casais que superam esta prova de fogo acabam por unir-se na adversidade. Se forem capazes de sobreviver a estes primeiros anos, é mais provável que saibam gerir os problemas futuros, nomeadamente as dificuldades inerentes à adolescência.

